O terremoto que atingiu com força o sudeste da Asia, abalando especialmente Mianmar, deixou no país uma “cena de destruição e desespero”, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Em declaração para jornalistas, nesta quinta-feira, ele anunciou que está enviando o subsecretário-geral de Ajuda Humanitária e coordenador de Emergência, Tom Fletcher, para Mianmar. O alto funcionário da ONU chega ao país nesta sexta-feira.

Número de mortos já chegou a 3 mil

A enviada especial, Julie Bishop, também irá para o local nos próximos dias para reforçar o compromisso da ONU com a paz e o diálogo.

Guterres fez um apelo à comunidade internacional para que intensifique imediatamente o financiamento necessário para responder à altura desta crise.

O número de mortos é de 3 mil pessoas e continua aumentando, com milhares de feridos e muitos ainda presos sob os escombros. Para o líder da ONU, o desastre expôs as “vulnerabilidades mais profundas” enfrentadas pelas pessoas em todo o país.

Ele ressaltou que mesmo antes do terremoto, Mianmar era assolado por crises políticas, de direitos humanos e humanitárias, que se espalharam para países vizinhos e abriram as portas para o crime transnacional.

Quase 20 milhões de pessoas, ou um em cada três habitantes, já precisavam de ajuda humanitária antes do desastre natural.

Um menino, ao lado de sua irmã, senta-se em um pedaço de uma parede desabada de um salão comunitário em Mandalay. Milhares de famílias perderam suas casas na cidade após os terremotos

Cessar-fogo temporário para facilitar operações de resgate

O secretário-geral pediu por acesso humanitário “rápido, seguro, contínuo e desimpedido” para alcançar os mais necessitados em todo o país. Ele também propôs que esse momento trágico seja transformado em uma oportunidade para o povo de Mianmar.

Nesse sentido, ele saudou os anúncios de cessar-fogo temporário, uma medida que classificou como essencial para impulsionar o fluxo de ajuda e permitir que os socorristas façam seu trabalho.

Segundo agências de notícias, a junta militar de Mianmar anunciou na quarta-feira um cessar-fogo temporário de 2 a 22 de abril para facilitar as operações de socorro e resgate de emergência. No início da semana, grupos armados que se opõem à junta já haviam anunciado a pausa nos conflitos.

O chefe das Nações Unidas pediu que o fim dos combates leve ao início imediato de um “diálogo político sério e à libertação de presos políticos”.

Para ele, uma solução para o fim do conflito no país deve incluir o retorno “seguro, voluntário, digno e sustentável” dos refugiados rohingya de Bangladesh, o fim da violência e das violações dos direitos humanos e “um caminho para que a democracia crie raízes”.

Ações humanitárias da ONU no local

Dentro de 48 horas após o tremor de magnitude 7,7 ter atingido o centro de Mianmar na tarde de sexta-feira, o Programa Mundial de Alimentos, WFP, iniciou distribuições emergenciais de alimentos para as comunidades afetadas.

Até agora, a agência alcançou mais de 24 mil sobreviventes do terremoto em quatro áreas, Mandalay, Naypyitaw, Sagaing e Shan, e está intensificando os esforços para ajudar 850 mil pessoas afetadas.

A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está priorizando a entrega de kits de abrigo de emergência, assistência multiuso em dinheiro, cuidados de saúde essenciais, água potável, kits de higiene e apoio psicossocial para as famílias afetadas.

A agência também visa apoiar as autoridades locais na gestão de locais de deslocamento, garantindo que os sobreviventes tenham acesso a serviços essenciais e proteção. 

Um morador varre os destroços de uma rua em Mandalay, Mianmar, após o terremoto de magnitude 7,7

Riscos para mulheres grávidas

De acordo com a ONU Mulheres, mais 100 mil grávidas foram afetadas pelo caos no centro de Mianmar, com 12.250 delas previstas para dar à luz em abril.

A destruição de instalações de saúde e os danos a estradas e pontes cortaram o acesso a serviços essenciais de saúde reprodutiva, colocando em risco mulheres grávidas e sobreviventes de violência de gênero que dependem de apoio médico.

O terremoto e os tremores secundários subsequentes foram os maiores a atingir Mianmar em mais de um século.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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